Beatíssimo Padre!
Tenho a honra, como Decano do Colégio Cardinalício, de lhe
apresentar a devota saudação de todos os Cardeais presentes, e a minha pessoal.
Todos lhe somos muito gratos por nos ter convocado para este dia de oração e de
reflexão, para uma acção conjunta cada vez mais fervorosa face aos grandes
desafios pastorais do momento actual. Estão unidos espiritualmente a nós também
aqueles Membros do Colégio que não puderam participar no Consistório devido a
urgentes compromissos pastorais nas suas sedes ou por razões de saúde. Desejo
recordar de modo especial o Decano emérito do nosso Colégio, o venerado Cardeal
Bernardin Gantin, que agora vive na sua terra no Benim, em Cotonu. Como ele,
também outros Senhores Cardeais enviaram mensagens de saudação, desculpando-se
pela ausência. Queira Vossa Santidade considerá-los presentes em espírito e
abençoá-los de coração.
A oração que há pouco fizemos com o Sucessor de Pedro, no início
deste Consistório, fez-nos reviver o clima espiritual que reinava no Cenáculo,
antes do Pentecostes, quando os Apóstolos estavam reunidos em oração com Pedro e
Maria, à espera do Espírito Santo.
Santo Padre, a partir de amanhã o nosso Colégio Cardinalício
terá 193 Membros, dos quais 120 são Cardeais eleitores, enquanto os restantes já
superaram a veneranda idade dos 80 anos. Dos membros que faziam parte do nosso
Colégio no momento do Conclave do ano passado, é necessário, obviamente subtrair
o Cardeal Joseph Ratzinger, elevado à Cátedra de Pedro, e os 4 saudosos Cardeais
Sim, Caprio, Scheffczyk e Taofinu'u, que agora do céu rezam por nós. Sentimo-los
aqui espiritualmente presentes.
Da parte de todos nós, há sempre o compromisso de corresponder à
nossa missão na Igreja, a qual está bem resumida pelo Código de Direito
Canónico, nos onze cânones (349-359) que se referem a nós e precisamente no
Capítulo "De Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalibus". Ali é-nos
magistralmente recordado o que a Igreja espera de nós. E precisamente para nos
ajudar a cumprir melhor tal tarefa, Vossa Santidade nos convocou agora.
Muitos de nós prestam a sua obra nas várias Congregações da
Cúria Romana, ao serviço do Sucessor de Pedro. Mas todos recordam bem o que
estabelece o cân. 349 do Código de Direito Canónico, isto é, que "os Cardeais
assistem o Romano Pontífice quer agindo colegialmente, quando forem convocados
para tratar em comum os assuntos de maior importância, quer individualmente, nos
vários ofícios que desempenham, prestando auxílio ao Romano Pontífice na
solicitude quotidiana da Igreja universal".
Em nome de todos os queridos Irmãos Cardeais aqui reunidos de
vários Países do mundo, gostaria depois de dizer ao Santo Padre Bento XVI que
todos lhe estamos próximos, todos os dias, com a nossa oração e com o nosso
afecto em Cristo, Pastor Supremo das nossas almas.
A convocação deste Consistório revela a todos quanta importância
Vossa Santidade atribua aos votos do nosso Colégio Cardinalício. É verdade que,
depois do Concílio Ecuménico Vaticano II, surgiu outro organismo de
consulta, o "Synodus Episcoporum". Trata-se contudo de duas instituições
complementares que concorrem em harmonia de intenções para ajudar o Sumo
Pontífice na sua solicitude pastoral por toda a Santa Igreja de Deus.
Vossa Santidade indicar-nos-á agora os temas sobre os
quais deseja ouvir o nosso parecer e aceitar os nossos conselhos. Obrigado,
Santo Padre!