Senhor Presidente
A Presidência búlgara trabalhou com generosidade, em vista de assegurar que este
Conselho ministerial pudesse contribuir para uma definição mais clarividente do
papel da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa na região
euro-atlântica, aproximadamente trinta anos depois da assinatura do Acto Final
de Helsínquia e sessenta anos após o final da segunda guerra mundial.
A Santa Sé reconhece este compromisso e está convencida da oportunidade e
validade permanentes dos princípios do Acto de Helsínquia para a abordagem dos
diversos problemas que, actualmente, esta Organização está a enfrentar.
1. Em primeiro lugar, a questão do terrorismo e da segurança. A posição da Santa
Sé é bem conhecida: o terrorismo só poderá ser eficazmente enfrentado, através
de uma acção multilateral concertada, que respeite o ius gentium. As
causas do fenómeno do terrorismo como todos nós sabemos são diversificadas e
complexas: os factores políticos, sociais e culturais, e inclusive os factores
ligados a pretextos religiosos. Por este motivo, uma acção a longo prazo é cada
vez mais necessária e urgente para que, com clarividência e paciência na
abordagem das raízes do terrorismo, se consiga prevenir a sua propagação e
eliminar a sua força destruidora e contagiosa. De maneira significativa, as
actividades da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa pode ajudar
a incentivar o compromisso nesta direcção. Com efeito, a Santa Sé oferece a sua
contribuição específica, em sintonia com a sua natureza e missão, através das
instituições educativas e sociais, assim como mediante o diálogo inter-religioso
e a defesa e a promoção da dignidade da pessoa humana.
2. Além disso, a Santa Sé considera sempre com grande interesse o fenómeno da
migração e a intenção desta Organização, de desenvolver as suas próprias
actividades nesta área. A migração já se tornou um elemento estrutural da
sociedade contemporânea, muitas vezes altera a sua própria composição cultural e
religiosa, enquanto exige a cooperação tanto dos migrantes como da comunidade
que os recebe, no respeito mútuo e na busca do bem comum.
Senhor Presidente
3. Durante o corrente ano de 2004, a Organização para a Segurança e a Cooperação
na Europa continuou a abordar problemáticas relacionadas com a tolerância e a
não-discriminação. Este foi o quadro estrutural para as Conferências de Berlim e
de Bruxelas. Aqui em Sófia, pode-se dar um vigoroso testemunho de tais esforços
através da instituição de alguns Representantes pessoais do Presidente-em-Ofício.
A Santa Sé valoriza estes empreendimentos, dado que ocupou sempre a linha de
vanguarda na luta contra o racismo, a xenofobia e a discriminação. Vários
membros da Igreja Católica pagaram pessoalmente pela sua oposição a estes
fenómenos perversos. Além disso os cristãos, que constituem a maioria religiosa
no território em que se encontra comprometida a Organização para a Segurança e a
Cooperação na Europa, nalguns países são também prejudicados por normas
discriminatórias e comportamentais. Como resultado, a Santa Sé sente-se obrigada
a chamar a atenção e a insistir sobre a necessidade de enfrentar este problema,
de maneira a garantir que a Organização para a Segurança e a Cooperação na
Europa possa enfrentar a discriminação e a intolerância de maneira objectiva e
pacífica.
Enquanto procura combater tais flagelos, esta Organização não pode aceitar
soluções bem ponderadas: além de ser injustas, elas não estariam em sintonia
com a sua abordagem tradicionalmente inclusiva. Seria paradoxal ignorar a
existência de medidas discriminatórias contra os cristãos, enquanto se tem a
intenção de lutar para contrastar a discriminação! O anti-semitismo, a
discriminação contra os muçulmanos e a discriminação contra os cristãos jamais
devem ser inseridos numa espécie de hierarquia! Os representantes competentes, o
Departamento para as Instituições Democráticas e os Direitos do Homem (ODIHR) e
a próxima Conferência de Córdova deverão abordar aberta, justa e oportunamente,
inclusive o problema da discriminação que se tem perpetrado contra os cristãos.
Somente desta forma os Estados participantes serão capazes de adquirir a própria
consciência deste fenómeno inquietador e adoptar os necessários remédios e
soluções. A Santa Sé continuará a contribuir em vista deste compromisso, num
espírito de diálogo e de cooperação, impelida pela vontade de servir eficazmente
a grande causa da pessoa humana, que constitui também o âmago das importantes
causas promovidas pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.
Como conclusão, gostaria de formular os meus sinceros parabéns ao Ministro da
Eslovénia, Sua Ex.cia o Senhor Dimitrij Rupel, próximo Presidente-em-Ofício da
Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, e de lhe assegurar, a
partir deste momento, a assistência da Santa Sé.
Obrigado, Senhor Presidente!