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SECRETARIA DE ESTADO
INTERVENÇÃO DA SANTA SÉ NO FORO ECONÓMICO PARA A SEGURANÇA E A
COOPERAÇÃO NA EUROPA (OSCE)
Praga, 3 de Maio a 4 de Junho de 2004
Senhor Presidente
A Santa Sé deseja unir-se aos precedentes oradores, para agradecer ao Governo
checo a sua cordial hospitalidade, e à Presidência búlgara a organização do
presente Foro, que representa o principal acontecimento económico das
actividades anuais da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.
Os novos desafios para a formação da capacidade institucional e humana, em
vista do desenvolvimento e da cooperação económica, devem ser enfrentados
tendo como fundamento a experiência da comunidade internacional e considerando
aquilo que a própria Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa está
em condições de realizar.
O documento estratégico da Organização para a Segurança e a Cooperação na
Europa, para a dimensão económica e ambiental, reconhece que a liberalização e
as mudanças tecnológicas não beneficiaram de forma equitativa todos os Estados
participantes, contribuindo deste modo, nalguns casos, para aumentar ainda mais
as disparidades económicas entre e também dentro dos nossos próprios países. Não
obstante o progresso alcançado na promoção da economia de mercado na área da
OSCE, alguns Estados participantes precisarão de assistência para a transição,
as reformas e a integração no mundo da economia, de forma justa e efectiva.
As políticas adoptadas no interior dos países individualmente, em ordem a
formar uma capacidade institucional apropriada, são muito importantes. O futuro
dos países em vias de desenvolvimento depende de tais políticas: da eficácia da
sua luta contra a corrupção, segundo as normas da lei e com transparência, da
sua capacidade de promover uma legislação clara e adequada, com alguns
incentivos de taxas, do tratamento nacional para os investidores estrangeiros e
das infra-estruturas modernas. Nenhuma condição, individualmente, pode assegurar
o bom êxito, mas a falta de uma única condição garantirá o fracasso. O que é
bastante interessante, é o facto de que muitas destas condições correspondem a
compromissos assumidos pelos Estados participantes na supramencionada estratégia
da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.
Contudo, as diferentes condições que devem ser respeitadas, a fim de actuar
um processo de desenvolvimento sustentável, levam a temer que muitos países não
serão capazes de agir de maneira independente.
Portanto, um requisito fundamental para a formação de uma capacidade
institucional para o desenvolvimento económico consiste em criar instrumentos
adequados para a redistribuição dos recursos de toda a terra. Há que garantir
uma maior provisão de bens públicos a nível mundial, daqueles bens
indispensáveis que estão relacionados com as condições de saúde, a salvaguarda
do meio ambiente, a investigação no campo da agricultura e as tecnologias
informáticas básicas. Todavia, isto está frequentemente muito além das
possibilidades de um único governo, pois além de investimentos económicos e
financeiros exige também um esforço concertado. Estes bens devem ser
transferidos sem obstáculos para os diferentes países, dado que não só
beneficiam os Estados individualmente, mas devem ser também considerados de
interesse para a comunidade internacional como tal.
Estamos conscientes de que ainda faltam instituições e mecanismos
internacionais que, possivelmente, possam favorecer tal transferência. Contudo,
estamos também conscientes do facto de que os países desenvolvidos, a nível
nacional, adoptam políticas destinadas a corrigir as falhas do mercado e a
remediar a falta de oportunidades para algumas regiões mais deprimidas. Nalguns
países, pode muito bem acontecer que as tomadas de decisão públicas e o sector
público em si sejam excessivos. Todavia, o ponto central a frisar é que, a nível
mundial, a verdade corresponde ao oposto: o desenvolvimento institucional
deteve-se nas estruturas relativas ao mercado. Por conseguinte, é importante que
a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, no âmbito do seu
compromisso económico, esteja consciente deste limite e, portanto, que
promova programas de assistência e de redistribuição adequados. Tendo em vista
esta perspectiva, gostaria de apresentar as seguintes sugestões:
Para se ater ao âmbito que lhe é próprio, a Organização para a Segurança e a
Cooperação na Europa poderia favorecer o intercâmbio de informações e de
soluções como uma das melhores práticas entre os investidores (organismos
governativos, universidades e os negócios em geral), em relação às iniciativas
nacionais "locais" e que se demonstraram úteis na suplência das deficiências do
mercado.
A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa poderia
inclusivamente defender medidas análogas a nível regional, modeladas segundo os
mecanismos criados no plano nacional, e capazes de abordar e corrigir os limites
do mercado.
Através da sua missão nos diferentes países em vias de desenvolvimento, a
Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa poderia contribuir para as
reformas empreendidas por um país de transição, nos campos da educação superior
e da formação vocacional, em ordem a corresponder às novas necessidades do
mercado e aos parâmetros internacionais.
A Santa Sé está persuadida de que durante o presente debate se prestará
atenção àquilo que se evidenciou nos três seminários de preparação, que
precederam este Foro, e que se definirão algumas recomendações práticas,
incluindo a implementação dos compromissos ambientais económicos prévios, que
deverão ser seguidos pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.
Obrigado, Senhor Presidente!
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