SECRETARIA DE ESTADO
A MISSÃO DE D. JEAN-LOUIS TAURAN EM
BELGRADO
DECLARAÇÃO FINAL
1. Não vim trazer soluções, mas compartilhar a profunda preocupação do Papa pela
dramática situação, causa de enorme sofrimento para inúmeras pessoas na
República Federal da Jugoslávia.
2. Hoje, durante os meus colóquios expus os seguintes pontos:
a) O Papa João Paulo II está junto de quantos sofrem, independentemente da sua
pertença étnica, confissão religiosa ou das suas convicções políticas. Deseja
ardentemente que todos sejam respeitados com dignidade igual. Isto deve ser
feito segundo a história e o direito.
b) Todos os dias o Papa recebe do mundo inteiro pedidos de assistência para
aqueles que foram maltratados, expulsos das próprias casas, para não falar de
todos os que foram mortos. O Papa julga que nenhuma causa política pode
justificar a crueldade e que esta situação deve cessar, a fim de que as
organizações humanitárias possam oferecer localmente a própria ajuda, para
aliviar o sofrimento de tão grande número de irmãs e irmãos em humanidade.
c) O Papa está convicto da validade da diplomacia, porque ela está baseada no
respeito pelo próximo, na escuta das legítimas aspirações do outro e na
cortesia. Crê que só uma solução política oferecerá a possibilidade às pessoas
da região de viverem juntas de maneira pacífica.
d) Dentro de poucos dias os cristãos do mundo inteiro comemorarão a Páscoa, a
celebração da vida sobre a morte. Sua Santidade e muitos responsáveis cristãos,
entre os quais o Patriarca Pavle, com quem há pouco me encontrei, consideram que
seria um gesto de grande humanidade suspender completamente as acções militares,
durante a semana que separa as comemorações da Páscoa, respectivamente a
ocidental e a oriental ( de 4 a 11 de Abril). Certamente, essa iniciativa
deveria ser acompanhada de medidas práticas de maneira que ninguém possa tirar
vantagem deste período, para perseguir os próprios fins. Como é óbvio, as
organizações humanitárias poderiam intervir com segurança e retomar a própria
obra urgente e indispensável.
3. Creio que hoje não há vencedores, mas apenas vencidos. Devemos fazer triunfar
a paz. A respeito disso, o Papa João Paulo II escreveu hoje ao Presidente
Milosevic, ao Secretário-Geral da NATO, Senhor Solana, e ao Presidente Clinton.
Espero e oro para que a minha visita, que é sobretudo expressão do ministério de
paz do Papa João Paulo II, possa contribuir para fazer ressoar no coração de
todos a voz da consciência. É esta a finalidade da actividade diplomática da
Santa Sé. O Papa e os seus colaboradores consideram que o homem é sempre melhor
de quanto parece. Por este motivo, jamais devemos perder a esperança. A Santa Sé
espera que, mais uma vez, a República Federal da Jugoslávia encontre paz para
todos e ocupe o lugar que lhe corresponde na Europa de hoje.
Belgrado, 1 de Abril de 1999
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