PONTIFICIUM CONSILIUM PRO DIALOGO INTER RELIGIONES
MENSAGEM
DO CARDEAL FRANCIS ARINZE POR OCASIÃO DO "VESAKH" 2000
Cristãos e Budistas como peregrinos em diálogo
rumo a um novo milénio
Dilectos amigos budistas
1. Em nome do Pontifício Conselho para o Diálogo
Inter-Religioso e em meu próprio nome, formulo a todos os nossos Irmãos e Irmãs
budistas os votos de uma feliz festividade do Vesakh/Hanamatsuri.
2. Durante este ano 2000, os cristãos
comemoram o bimilenário do nascimento de Jesus Cristo. Haverá celebrações no
mundo inteiro, mas especialmente em Roma e na terra em que Jesus nasceu, viveu,
sofreu, morreu e ressuscitou. Mas este ano é significativo não só para os
cristãos. O início de um novo milénio constitui um tempo oportuno para todas
as tradições religiosas reflectirem separada e conjuntamente sobre o passado e
enfrentarem o futuro com vigor renovado. No contexto das inumeráveis celebrações
jubilares promovidas pela Igreja católica, ao nosso Pontifício Conselho
confiou-se a organização de uma Assembleia inter-religiosa em Roma, no
passado mês de Outubro, tendo em vista particularmente esta finalidade. Foram
convidados participantes de diferentes tradições religiosas do mundo inteiro e
a resposta foi encorajadora. Presidindo à cerimónia de encerramento dessa
Assembleia, o Papa João Paulo II exortou todas as pessoas de boa vontade a
contrastarem a crise da civilização, infelizmente presente no nosso
mundo, com a civilização do amor, assente nos valores universais da
paz, solidariedade, justiça e liberdade.
3. Considerando que o nascimento de Cristo está
na origem do calendário que anuncia o novo milénio, pareceria oportuno
centrarmos nesta mensagem a nossa reflexão sobre Jesus Cristo. Jesus é Aquele
que dá a própria vida pelo próximo, que se sacrifica pela salvação dos
outros. Todavia, para os cristãos Ele é mais do que um bodhisattva. Jesus,
o Verbo que se fez homem e nasceu da Virgem Maria, constitui a plenitude da
revelação de Deus. Ele é o Deus que se manifestou à humanidade, é o único
Salvador de todos. "Quando a Igreja católica proclama Jesus Cristo e entra
em diálogo com os fiéis de outras religiões, fá-lo para dar testemunho do
seu amor pelos homens de todos os tempos, um amor que
se manifestou na Cruz, para a reconciliação e a salvação
do mundo. É neste espírito que a Igreja procura promover uma amizade mais
profunda com todos os povos e religiões" (João Paulo II, Discurso
aos Representantes das principais religiões tradicionais de origem oriental, Seul
[Coreia], 6 de Maio de 1984, em: ed. port. de L'Osservatore Romano
de 13.V.1984, pág. 9, n. 3).
4. Embora os Budistas não compartilhem a
mesma fé em Jesus Cristo, não nos é porventura possível apreciar juntos o
exemplo dado por Jesus? Ele ensinou o amor ao próximo e foi compassivo,
particularmente para com os pobres. Exortou a um espírito
de perdão e remitiu a culpa àqueles que O
condenavam à morte, manifestando-se como Redentor, que liberta quem se
encontra vinculado pela ignorância e pelo pecado. Assim, Jesus não é acaso um
modelo e uma mensagem permanentes para a humanidade?
5. No momento em que entramos num novo milénio,
nós cristãos e budistas, juntamente com os seguidores de outras religiões e
de todos os homens e mulheres de boa vontade, temos algo a receber da mensagem
de Jesus: uma mensagem de compaixão e perdão, de caridade e
fraternidade, de justiça e paz.
6. É neste espírito que vos renovo as minhas
saudações e vos formulo os melhores votos para uma vida de paz e serenidade.
Francis Card. Arinze Presidente
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