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ZEFERINO NAMUNCURÁ (1886-1905)
Zeferino Namuncurá era um jovem de quase 19 anos, um
mapuche "homem da terra", como sugere a etimologia dos pampas: uma terra
dura, estéril, flagelada pelo vento ou queimada pelo sol, imobilizada pela
neve ou encharcada pela chuva. Portanto, Zeferino era um cidadão dos pampas,
filho de um povo acostumado a combater desde o amanhecer até ao anoitecer e,
frequentemente, também do anoitecer até ao amanhecer contra os elementos
naturais. Zeferino foi forjado por esta terra, obrigado a crescer depressa,
como todos os seus coetâneos; uma infância curta, uma adolescência mais ou
menos inexistente a vida nos pampas exige de quem tem 9 ou 10 anos a agilidade
de um adulto: cavalgar, caçar, pescar, usar as bolas com extrema precisão,
conhecer, enfim, todos os truques para a sobrevivência.
Filho do cacique dos mapuches, Zeferino nasceu a 26 de Agosto
de 1886, na Argentina. Foi baptizado a 24 de Dezembro de 1888, pelo
missionário Dom Milanesio que permaneceu sempre um dos seus pontos de
referência. Quando o pai foi proclamado coronel do exército argentino, aceitou
que o filho fosse estudar na capital. Após uma breve experiência numa escola
estatal, Zeferino foi acolhido para o colégio salesiano de Buenos Aires a 20
de Setembro de 1897. A vida no colégio não foi muito fácil para esse filho do
deserto, mas ele aceitou tudo em silêncio e, em contacto com os sacerdotes
salesianos de grande talento apostólico e cultural, iniciou uma rápida
transformação que se tornou um propósito permanente na base da sua parábola de
santidade: "Vim estudar para ser útil ao meu povo". A antiga sabedoria
herdada dos seus antepassados encontrou-se e integrou-se admiravelmente com a
sabedoria cristã, por ele percebida como o ápice, o complemento daquela do seu
povo.
Na Argentina, Zeferino é o "santo" mais conhecido e amado.
Feito santo pelo seu povo antes que a Igreja o declarasse tal. Por
conseguinte, é um santo inusitado, portador de uma santidade dos pampas,
regada pelas fadigas, valores, obediência, suportação; sem impulsos místicos,
orações martirizantes, proclamas ou propósitos clamorosos, sem escritos
exaltantes: um santo da terra, um santo ao alcance de todos, um santo, enfim,
segundo o coração de Dom Bosco, que incentivava os seus alunos a ter duas
características que pela sua simplicidade teria provocado alguma perplexidade
nos grandes santos do passado, mas que para o sacerdote dos jovens eram o
sinal inequívoco de uma santidade ao alcance dos jovens: "honesto
cidadão e bom cristão". É o quanto basta para se tornar santo. Dom Bosco
estava convencido disso e a história deu-lhe razão: Domenico Savio, Laura Vicuña
e, agora, Zeferino Namuncurá.
Zeferino Namuncurá faleceu em Roma, a 11 de Maio de 1905,
enquanto percorria o seu caminho de preparação para o sacerdócio.
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