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IRMÃ MARIA ROSA PELLESI (1917-1972)
Depois de apenas 35 anos da sua morte, a Igreja reconhece a
santidade da Ir. Maria Rosa, professa da Congregação das Irmãs Franciscanas
Missionárias de Cristo e proclama-a Beata.
Dos seus 55 anos de existência, 27 foram vividos na solidão e no sofrimento de
um sanatório.
Dentro desse claustro, não escolhido nem previsto,
aconteceu-lhe de tudo: chorou e sorriu, venceu a monotonia com a escuta e o
amor, transformou o ordinário em extraordinário, fez grandes as mínimas
coisas. Lá o seu dom nutriu-se da dor, o seu sorriso alimentou-se da doença e
a sua felicidade de lágrimas. Livre e grande, desde o início até ao fim,
permaneceu-lhe o coração. E isto lhe foi suficiente para voar alto, para
sonhar o sol, transfigurar os seus dias e inebriar-se de felicidade e, sem
algum rumor, fazer-se santa.
Bruna Pellesi, a futura Ir. Maria Rosa, nasceu a 11 de Novembro de 1917, em
Prignano sulla Secchia (Itália). Desde o princípio, a vida doou-lhe beleza,
elegância, bom humor, doçura, alegria e muita paz. Aos 17 anos, chegou também
o amor. A sua existência parecia ter tomado o caminho da plena realização e da
felicidade. O binómio amor-felicidade era o sonho que perseguia com todo o seu
entusiasmo. Mas deste mesmo sonho, Deus, com toda a exuberância do seu amor,
dispôs para ela de um modo inesperado. Parecia que os dois sonhos se
encontravam ou se chocavam, dois protagonistas, duas realizações. Começou nela
a luta "difícil e profunda" para os reconduzir à unidade. Ouvia a voz do
Senhor que a convidava a deixar tudo para O seguir.
Tratava-se de fazer as contas com dois "galanteios", para decidir se, e por
quem, se deixar seduzir. No fim, tratou-se de uma escolha de êxito previsto,
pois, em todo o caso, teria sido um ceder ao amor e cair nos braços do amado.
Contudo, este novo amor configurou-se como chamada e pressentimento de um
misterioso dom. Bruna acabou cedendo ao amor, àquele amor maior e que se sente
com mais força. Com um sonho a realizar, chegou à casa das Irmãs Franciscanas
de Santo Onofre em Rímini, fundadas em 1885 por Faustina dos Condes Zavagli,
nobre de família e ainda mais de ânimo, que como religiosa recebeu o nome de
Ir. Teresa de Jesus Crucificado. Por sugestão da própria Ir. Maria Rosa,
actualmente, aquelas irmãs chamam-se Irmãs Franciscanas Missionárias de
Cristo.
O coração faz as suas escolhas sofridas, que só o amor maior consegue
explicar e permite realizar. E a Ir. Maria Rosa, aos 22 anos, sem hesitação,
obedeceu a este imperativo absoluto.
De 1940 a 1942 permaneceu em formação. Foram os anos do silêncio e da
fadiga, da sementeira e da expectativa. O trabalho era interior, desenvolvido
nas profundezas. Dessa sementeira feita em profundidade e no escondimento,
ver-se-iam os frutos mais tarde. De facto, quando a tempestade da dor a
surpreendeu, suportou o choque sem esmorecer, perdendo algumas folhas, mas
nunca a raiz e a serenidade.
No mês de Novembro de 1945, entrou definitivamente no sanatório devido à
tuberculose que a tinha contagiado. Tinha apenas 27 anos: 22 dos quais
transcorridos em família e 5 no convento. Ela ainda não sabia, mas
restavam-lhe exactamente outros 27, que seriam vividos inteiramente no
sanatório. A sua vida, portanto, foi claramente dividida pela metade. Os
primeiros 27 anos, maravilhosos como os lírios do campo, foram um sonho e
passaram rapidamente. Os outros 27, pesados e intermináveis, entrelaçados do
início ao fim com a doença, serviram-lhe para se realizar.
Ambos foram ligados
pela mesma força: fazer a vontade de Deus e fazer-se santa a qualquer preço.
Este foi o tesouro que, com fadiga e sem deixar ver, procurou, encontrou e
conservou. Fê-lo entre lágrimas e sorrisos, densas sombras e fendas de luz, às
vezes suspensa entre o céu e a terra, grandeza e pobreza, oscilando sem parar
dos abismos aos cimos, mas sempre com as mesmas invencíveis paixão e
paciência.
Contudo, o que é mais curioso em toda esta vissicitude é que a Beata Ir.
Maria Rosa passou a sua vida a falar de alegria, de paz, de serenidade, de
amor e de felicidade para descrever a sua experiência: sentia-se "quase
atordoada de alegria" por um "dom tão grande"; "não pude deixar de chorar
pensando na bondade misericordiosa de Deus"; a saúde era muito precária, mas
ela dizia "o meu coração canta e sou muito feliz!".
A 1 de Dezembro de 1972, Ir. Maria Rosa fechou os olhos para este mundo.
Fechou-os na terra para os abrir no céu. O seu sorriso celeste transfigurou a
noite sem fim do calvário na manhã do oitavo dia e no alvorecer da esperança!
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