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Maria de los Ángeles Ginard Martí
(1894-1936)
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A Ir. Maria de los Ángeles Ginard Martí, religiosa da Congregação das Irmãs
Zeladoras do Culto Eucarístico, nasceu no dia 3 de Abril de 1894. Era a
terceira de nove filhos e passou a sua infância nas Canárias, para onde o seu
pai tinha sido transferido. Após o regresso da sua família a Maiorca embora já
tivesse o desejo de tornar-se religiosa teve que esperar. Por necessidade
aprendeu a confeccionar chapéus e a bordar a fim de, com o seu esforço
pessoal, contribuir e suprir as carências de uma família tão numerosa. Não
obstante isso, todas as manhãs levantava-se de madrugada para participar na
Eucaristia e o seu trabalho não a impedia de recitar o Rosário, visitar o
Santíssimo e transcorrer longos períodos em adoração na igreja das Irmãs
Zeladoras do Culto Eucarístico, congregação fundada em 1902 pelo sacerdote e
servo de Deus Miguel Maura Montaner.
Entrou nessa Congregação em 1921. Terminado o noviciado e emitida a
primeira profissão religiosa, viveu e trabalhou na casa das Irmãs em Madrid de
1926 a 1929. Colocou-se imediatamente em contacto com a comunidade orante e
soube estar disponível aos muitos fiéis que vinham à capela da casa para
adorar o Santíssimo Sacramento. Em seguida, transferiu-se para Barcelona,
regressando à casa de Madrid no ano de 1932, após ter renunciado ser
conselheira-geral. Nesta casa viveu os quatro anos precedentes à sua morte,
experimentando a perseguição religiosa típica daquela época. Actualmente os
seus despojos repousam na igreja desta casa em Madrid.
Ela sabia aproveitar todos os momentos livres para adorar silenciosamente a
Eucaristia, além do tempo habitual do seu horário religioso. Orava
incessantemente diante de Jesus Cristo Ressuscitado, presente na Eucaristia,
pelos muitos problemas da Espanha, agitada naquele período por tantos
conflitos sociais. Desejava levar Cristo a toda a humanidade, através do
fascínio eucarístico. No mês de Março de 1936, uma explosão de violência
anti-religiosa provocou o incêndio de diversas igrejas, cobrindo toda Madrid
de fumaça. Não obstante tudo, as Zeladoras do Culto Eucarístico não
interromperam o seu ritmo de adoração. Contudo, os incêndios continuavam a
aumentar e também os assassinatos de sacerdotes, pessoas consagradas e leigos
cristãos.
No dia 20 de Julho de 1936, juntamente com as religiosas da sua comunidade,
teve que se refugiar na casa de alguns vizinhos seus amigos. Na tarde de 25 de
Agosto de 1936, após a denúncia de um porteiro do prédio onde estava
hospedada, foi detida e, dado que estavam para capturar também uma irmã da
dona da casa, a Ir. Maria de los Ángeles disse: "Esta senhora não é uma
religiosa, deixai-a, a única religiosa sou eu". Desse modo, salvou-lhe a vida
mas, ao mesmo tempo, identificou-se como religiosa, facto que a levou ao
martírio.
Conduzida à prisão das Belas Artes, na noite de 26 de Agosto, foi fuzilada
na localidade de Dehesa de la Villa, em Madrid. Não foi submetida a qualquer
processo; era religiosa, e este facto era suficiente. Após o reconhecimento e
a remoção do seu cadáver, foi sepultada no cemitério de Almudena no dia
seguinte. Em 1941, o seu corpo foi depositado no túmulo da comunidade. Maria
de los Ángeles morreu sorrindo, como demonstram as fotografias. Finalmente era
mártir de Jesus Cristo, como tinha desejado. A Ir. Maria de los Ángeles viveu
um duplo carisma a virgem que vive a transcendência e a dimensão escatológica
todos os dias, alcança o grande mistério da perfeição cristã, doando de modo
cruento a sua vida que era totalmente consagrada a Cristo e pode-se afirmar
que foi a sua virgindade que a levou ao martírio. De facto, ela revelou ser
uma religiosa e precisamente por isso foi assassinada logo em seguida, quase
pronunciando a confissão do seu ser consagrada a Deus.
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