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Laura Montoya (1874-1949)
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A Madre Laura Montoya Upequi, mestra de missão na América Latina, servidora da
verdade e da luz do Evangelho, nasceu em Jericó, Antioquia, pequena povoação
colombiana, a 26 de Maio de 1874, no lar de João da Cruz Montoya e Dolores
Upegui, uma família profundamente cristã. Recebeu as águas regeneradoras do
batismo quatro horas depois do seu nascimento. O sacerdote lhe deu o nome de
Maria Laura de Jesus. Dois anos tinha Laura quando seu pai foi assassinado, em
cruenta guerra fratricida por defender a religião e a pátria. Deixou a sua
esposa e seus três filhos em orfandade e dura pobreza, a confiscação dos
bens por parte de seus inimigos. De lábios de sua mãe, Laura apreendeu a
perdoar e a fortalecer seu caráter com sentimentos cristãos.A idéia,
conhecimento e o amor de Deus despontaram em sua alma desde tenra idade. Deus se
lhe deu conhecer em profundas experiências trinitárias que a levaram em
contínua ascensão até as alturas da mística. Assim se expressa nos seus anos
derradeiros: “Parecia-me que meu ser se queimava e se incendiava num amor de
adoração tal, que se ia destruindo ao calor e impulso deste amor.”
Desde seus primeiros anos, sua vida foi de incompreensões e dores. Soube o que
é sofrer como pobre órfã mendigando carinho entre seus mesmos familiares.
Aceitando com amor o sacrifício foi dominando as dificuldades do caminho. A ação
do Espírito de Deus e a leitura espiritual especialmente das Sagradas
Escrituras, levaram-na pelos caminhos da oração contemplativa, penitência e o
desejo de se tornar religiosa no claustro do Carmo. Tinha sede de Deus e queria
ir a Ele “como projétil de canhão”.
Esta mulher admirável cresce sem estudos, pelas dificuldades de pobreza e
itinerância a causa de sua orfandade, para ser mestra, chega a ser uma erudita
no seu tempo, uma pedagoga conotada, formadora de gerações cristãs, grande
escritora de alto vôo e saboroso estilo, mística profunda por sua experiência
de oração contemplativa.
Em 1914 apoiada por D. Maximiliano Crespo, Bispo de Santa Fé de Antioquia,
funda uma família religiosa: as missionárias de Maria Imaculada e Santa
Catarina de Sena, obra religiosa que rompe moldes e estruturas insuficientes
para levar a cabo seu ideal missionário segundo o expressa em sua
autobiografia: “Necessitava mulheres intrépidas, corajosas inflamadas no amor
de Deus, que pudessem assimilar sua vida à dos pobres habitantes da selva, para
levá-los a Deus”.
Sua profissão de mestra a levou por várias povoações de Antioquia e depois
ao Colégio da Imaculada em Medellín. Em seu magistério não se conformou com
o saber humano senão que expõe magistralmente a doutrina do Evangelho. Forma
com a palavra e o exemplo o coração de suas discípulas, no amor à Eucaristia
e nos valores cristãos. Num momento de sua trajetória,como mestra, se sente
chamada a realizar o que ela chamava “a obra dos índios”: Em 1907 estando
na povoação de Marinilla, escreve: “Me vi em Deus e como que me revestia com
sua paternidade, fazendo-me mãe, do modo mais intenso, dos infiéis. Doíam-me
como verdadeiros filhos”. Este fogo de amor a impulsiona a um trabalho heróico
ao serviço dos indígenas das selvas da América.
“Uma só dor, e uma só aspiração tinha em minha vida: Deus ultrajado e não
conhecido e minha ânsia por dá-lo a conhecer! isso era quanto se agitava em
minha alma desolada. Não tinha desolação propriamente minha. Era a desolação
de meu Deus desconhecido!. Minha alma ardia no desejo de fazer algo grande
porque me Deus fosse conhecido e minha compaixão pelos infiéis se fez muito
inferior ao meu desejo de ver a Deus conhecido e amado como Ele merece”. Busca
recursos humanos, fomenta o zelo missionário entre suas discípulas, escolhe
cinco companheiras a quem acende o fogo apostólico de sua própria alma.
Aceitando de antemão os sacrifícios, humilhações, provas e contradições
que possam vir, acompanhadas por sua mãe Dolores Upegui, um grupo de “Missionárias
catequistas dos índios” sai de Medellín para Dabeiba o 5 de Maio de 1914.
Partem rumo ao desconhecido, para abrir caminho na espessa selva. Vão não com
a força das almas, mas sim com a debilidade feminina apoiada no crucifixo e
sustentada por um grande amor a Maria a Mãe e Mestra desta obra missionária.
“Ela, a Senhora Imaculada atraiu-me de tal modo, que já me é impossível
pensar sequer em que não seja ela como o centro da minha vida”.
Compreende a dignidade humana e a vocação divina do indígena. quer se inserir
na cultura, viver como eles em pobreza, simplicidade e humildade, dessa
maneira derrubar o muro de discriminação racial que mantinham alguns
lideres civis e religiosos de seu tempo. A solidez de sua virtude foi provada e
purificada pela incompreensão e o desprezo dos que a rodeavam, pelos prejuízos
e as acusações de alguns prelados da igreja que não compreenderam em seu
momento aquele estilo de “religiosas cabras”, segundo sua
expressão, levadas pelo anseio de estender a fé e o conhecimento de Deus até
os mais remotos e incessíveis lugares, oferecendo uma catequese vivencial do
Evangelho. Sua obra missionária rompeu esquemas para lançar à mulher como
missionária na vanguarda da evangelização na América Latina. O queimante
clamor:“SITIO” –tenho sede- de Cristo na cruz, a impulsiona a
saciar essa sede do Crucificado: “quanta sede tenho! sede de saciar a vossa
Senhor!. Ao comungar nos juntamos dois sedentos: vós da glória do Vosso Pai e
eu de vosso Coração Eucarístico, vós de vir a mim, e eu de ir a vós”.
Redige para elas as “vozes místicas” inspirada na contemplação da
natureza, e outros livros como o Diretório ou guia de perfeição, que ajudam
as irmãs a viver em harmonia entre a vida apostólica e a contemplativa. A
autobiografia é sua obra maior, livro de confidências íntimas, experiência
de suas angústias, desolações e ideais, vibrações de sua alma ao contato
com a Divindade, vivência de sua luta titânica para realizar sua vocação
missionária. Ali mostra sua “pedagogia de amor”, pedagogia conforme a mente
do indígena que lhe permite adentrar-se na cultura e no coração do índio e
do negro do nosso continente.
Essa infatigável missionária,morreu em Medellín, a 21 de outubro de 1949. A
sua morte deixou estendida a congregação de missionárias em 90 casas distribuídas
em três países, com um número de 467 religiosas. Na atualidade, as missionárias
trabalham em 19 países, distribuídas na América, África e Europa.
Por tudo o que viveu, fez e significou a madre Laura em sua época, e por tudo o
que seguirá significando para a sociedade, a Congregação e a Igreja. Seu
processo de Beatificação, aberto a 4 de julho de 1963, na capela da Cúria
Arquidiocesana de Medellín, Hoje este processo que durou quarenta anos, chegou
a seu ápice, quando em Roma em 7 de julho passado, na sala Clementina, S.S. João
Paulo II, na presença dos membros da Congregação para as causas dos santos, promulgou
o Decreto de Beatificação da Madre Laura Montoya Upegui.
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