 |
D. Basílio Hopko
(1904-1976)
Foto
D. Basílio Hopko nasceu no dia 21 de Abril de 1904, na
localidade de Hrabské, na Eslováquia oriental, numa família de pobres
camponeses.
Depois de uma infância difícil, em virtude da grande pobreza,
a mãe do pequeno Basílio que ficou órfão de pai partiu para os Estados Unidos
da América, à procura de um trabalho e de melhores condições de vida,
confiando a educação do seu filho aos parentes mais próximos.
Gradualmente, Basílio deu-se conta de que nele começava a
amadurecer o desejo de consagrar a sua vida ao serviço do altar. Desta forma,
em 1923, decidiu entrar no Seminário greco-católico de Presov. Antes de ter
concluído os estudos teológicos, sua mãe pediu que, quando estivesse pronto
para receber a ordenação sacerdotal, ele fosse incardinado na Eparquia
greco-católica de Pitsburgo. Entretando, o jovem seminarista adoeceu
gravemente e, mais tarde, pôde dizer: "Tudo isto aconteceu por vontade de
Deus, porque o Senhor queria que eu permanecesse no meu País de origem".
Basílio recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 3 de Fevereiro de 1929.
A seguir, foi-lhe confiado o cuidado pastoral dos
greco-católicos de Praga, onde passou a ocupar-se de vários grupos de fiéis:
jovens, operários, estudantes, desempregados e órfãos; fundou o Círculo dos
estudantes greco-católicos e a União da juventude greco-católica; e
contribuiu para a erecção da paróquia desse rito, da qual foi nomeado o
primeiro pároco, conseguindo obter da Arquidiocese de Praga a igreja de São
Clemente para os fiéis de rito bizantino-eslavo. Em Praga, o jovem presbítero
encontrou-se com sua mãe que voltou, depois de 22 anos, dos Estados Unidos.
Em 1936, o jovem sacerdote regressou a Presov, onde recebeu
primeiro o cargo de director espiritual no Seminário greco-católico e, depois,
de secretário da Cúria episcopal, obtendo a Licenciatura em Teologia quatro
anos mais tarde. Em seguida, ensinou Teologia Moral e Pastoral na Faculdade
Teológica local; começou a escrever várias obras; tornou-se o primeiro
redactor da revista Blahovistnik ("O Mensageiro do Evangelho"); e
contribuiu para a publicação de uma série de livros de espiritualidade.
Depois da segunda guerra mundial, prevendo um processo de "sovietização"
e de totalitarismo marxista-ateísta na Checoslováquia, a Santa Sé nomeou-o
Bispo Auxiliar de Presov, cuja Ordenação episcopal teve lugar no dia 11 de
Maio de 1947. Assim, D. Basílio Hopko tornou-se depressa o "braço direito" de
D. Pedro Gojdic, que apresentou o novo Prelado, como alguém que "mostrou ser
digno de tal honra", com a "sua fidelidade constante à Igreja católica, o seu
amor pelo rito oriental e o seu incansável ardor apostólico".
Desde o começo, D. Basílio Hopko encorajou os fiéis,
preparando-os para os tempos duros que chegaram depois da realização do
chamado "Concílio de Presov" (1950). Com efeito, na esteira do que já tinha
acontecido na Ucrânia em 1946, o comunismo preparou um ataque violento também
contra a Igreja greco-católica na Checoslováquia.
Sabendo ler "os sinais dos tempos", D. Hopko encontrava-se
diariamente com os sacerdotes da Eparquia de Presov para os encorajar a
perseverar na fé e na fidelidade à Igreja católica. Durante o triste
"Concílio" (realizado sem a presença dos Bispos!), declarou-se extinta a
Igreja greco-católica na Checoslováquia; todos os seus sacerdotes, fiéis e
igrejas passaram à Igreja ortodoxa; e os dois Bispos foram aprisionados e
submetidos a interrogatórios violentos, vexantes e, mesmo, a torturas, para
obter a sua confissão das acusações inventadas. Depois de um ano de
interrogatórios cruéis, D. Hopko foi condenado a quinze anos de prisão, a uma
alta pena pecuniária, à perda dos direitos de cidadão por dez anos e à
confiscação de todos os seus bens.
Libertado em 1964 por motivos de saúde (resultado das doses de
arsénio que lhe tinham subministrado ao longo dos anos), obrigaram-no a
permanecer por quatro anos, até 1968, na casa de cura para sacerdotes idosos
em Osek, na Boémia setentrional.
Contudo, o estado de saúde de D. Basílio Hopko era bastante
preocupante. Além de diversas doenças físicas, ele começou a sofrer também de
depressões psíquicas, causadas por torturas e maus tratos nos anos de prisão.
Apesar de tudo isto, o ilustre Prelado contribuía activamente para a renovação
da Igreja greco-católica na sua terra.
O processo desta renovação só terminou no dia 13 de Junho de
1968, quando essa Igreja foi reabilitada na Checoslováquia, depois de dezoito
anos de supressão sistemática. A partir desse ano, o heróico Pastor voltou a
viver na sua Eparquia de Presov e, no dia 20 de Dezembro, Paulo VI confirmou a
sua nomeação para Bispo Auxiliar para todos os greco-católicos residentes
nesse País. Apesar do grave estado de saúde, D. Basílio Hopko desempenhou a
sua tarefa pastoral de maneira responsável, encorajando os fiéis e ordenando
novos sacerdotes. O ilustre Prelado faleceu no dia 23 de Julho de 1976, junto
dos seus fiéis em Presov.
O processo de Beatificação do Servo de Deus Basílio Hopko teve
início no ano de 1986, na Sede Metropolitana de Pitsburgo, nos Estados Unidos
da América, e foi retomado na sua Eparquia de origem depois de 1989.
Homilia do Santo Padre
|