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MENSAGEM DO SANTO PADRE POR
OCASIÃO DO INÍCIO DO ANO SANTO EM SANTIAGO DE
COMPOSTELA
1. Ao celebrar-se
o rito de abertura da Porta Santa, que assinala o começo do Ano Santo de São
Tiago, uno-me espiritualmente aos pastores e fiéis dessa Arquidiocese de
Santiago de Compostela, assim como aos peregrinos provenientes dos mais variados
lugares da Galiza e de todo o orbe cristão, que acorrem ao Pórtico da Glória
com a esperança de cruzar o limiar da graça. Querem assim dar cumprimento aos
seus anelos de reconciliação, de se encontrarem com o Senhor e fortalecerem
a sua fé, a exemplo e por intercessão do Apóstolo São Tiago, testemunha e
mártir do Evangelho. O Jubileu que agora se inaugura, e que tem como lema «O
Ano Jubilar de Compostela, pórtico do Ano Santo 2000», adquire um significado
particular por se celebrar no último período de um século e no alvorecer do
Terceiro Milénio, no qual a Igreja e a humanidade esperam novos desafios e
novas intervenções divinas nas vicissitudes humanas (cf.Tertio millennio
adveniente,
17).
2. Ao longo dos séculos os diversos itinerários do «caminho de
Santiago» foram percorridos por peregrinos, que caminhavam até ao então
chamado «finis terrae», para alcançar o tão almejado «perdão» e, ao mesmo
tempo, acolher de novo no seu coração a luz do Evanelho transmitido pelos
Apóstolos. Como Abraão, deixavam a própria casa para ir em busca da terra
que o Senhor haveria de mostrar-lhes (cf. Gn 12, 1), abandonavam as seguranças
enganadoras do seu pequeno mundo, para se porem nas mãos do dom de Deus. No final do trajecto encontravam a luz de Cristo, que é a autêntica esperança
para a humanidade e a pátria verdadeira de todo o ser humano. Percorrido com
este espírito, o caminho de Santiago chega a ser um verdadeiro processo de
conversão e um progressivo desprendimento do homem velho, para se revestir do
homem novo, «criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras»
(Ef 4, 24).
3. Tendo bem presentes as inesquecíveis recordações das minhas
anteriores visitas a Santiago, nestes momentos penso nos homens e mulheres,
jovens e adultos, que da Galiza e da Espanha, da Europa e de além-mar se
hão-de pôr em marcha até Compostela. Seguirão um caminho secular ritmado de
magníficas obras de arte e de cultura, nas quais tantas gerações deixaram
esculpido o testemunho da sua fé robusta. Encontrarão outras pessoas e
terão a oportunidade de apreciar os variados costumes e culturas em que o ser
humano pode expressar o melhor de si mesmo, abrindo- se assim a uma visão
mais universal e a uma melhor compreensão dos diversos povos. Os gestos de
cordialidade e acolhimento fraterno farão com que adquiram uma relevância
especial aquelas palavras de Jesus: «a Mim mesmo o fizestes» (cf. Mt 25,
40). A meditação e a oração compassada ajudarão o peregrino a entrar
dentro de si mesmo, para encontrar a verdade mais profunda do seu ser, fazendo
assim um caminho interior que prepara o seu coração para receber as
graças jubilares e abraçar o Santo, nesse gesto tradicional que simboliza o
jubiloso acolhimento da fé em Cristo, que o maior dos Apóstolos pregou sem trégua, até dar a
própria vida por ela (cf. Act 4, 33; 12, 2).
4. Este Ano Santo oferece ao
nobre povo espanhol, que lançou profundas raízes cristãs sob a protecção do
Apóstolo São Tiago, às Igrejas particulares e, de modo muito especial, a
essa querida Arquidiocese de Compostela, uma ocasião propícia para
impulsionar com renovado vigor o seu compromisso com os valores do Evangelho,
propondo-os de maneira persuasiva às novas gerações e impregnando com eles
a vida pessoal, familiar e social. Para isto se orientam as diversas actividades pastorais programadas para o Jubileu, entre as quais se deve destacar o
Encontro Europeu de Jovens e o Congresso Eucarístico Nacional. São acontecimentos que manifestam a vitalidade da fé e o espírito evangelizador
característicos de toda a comunidade fundada na pregação apostólica. Deste modo, o
Jubileu de Compostela, ao mesmo tempo que distribui o pão do «perdão» e da
graça, converte-se em foco luminoso de vida cristã e em reserva de energia
para as novas vias de evangelização (cf. Discurso na praça diante da
Catedral, 19 de Agosto de 1989, n. 2).
5. Peço ao Todo-Poderoso por todos os
que forem a Santiago, precisamente neste ano que a Igreja universal, ao preparar-se para o Grande Jubileu do Ano 2000, dedica a Deus, nosso «Pai
celestial». Peço-lhe que os faça sentir o imenso amor que Ele tem por todos e
cada um dos homens, e que lhes dê o valor necessário para retornar à casa
paterna, a fim de receberem o paternal abraço de acolhimento e de perdão. Esta
experiência da inefável misericórdia divina tornar-los-á testemunhas
incansáveis, que sabem tornar presente a bondade de Deus e a fazem ressoar em
opções concretas de amor e solidariedade com os irmãos (cf. Tertio millennio
adve- niente, 50-51).
Confio os frutos deste ano de São Tiago à nossa Mãe
do Céu, que acompanhará os peregrinos no seu itinerário penitencial e os
acolherá sorridente à sua chegada ao Pórtico da Glória. Com a sua ajuda, e
pela poderosa intercessão do Apóstolo São Tiago, os queridos filhos da
Galiza e da Espanha, assim como os que vierem de outras terras, pos- sam
progredir material e espiritualmente, num clima de solidariedade para com os
mais necessitados e de paz com todos.
Com estes votos, e em sinal de benevolência, concedo-lhes de bom grado a Bênção Apostólica.
Vaticano, 29 de
Novembro de 1998, primeiro domingo do Advento.
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