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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ANDREW MHANDO DARAJA
NOVO EMBAIXADOR DA TANZÂNIA JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS
11 de janeiro de 1997
Senhor Embaixador
Sinto-me feliz por lhe dar as cordiais
boas-vindas no momento em que Vossa Excelência chega ao Vaticano para apresentar
as Cartas Credenciais, que o designam Embaixador Extraordinário e
Plenipotenciário da República Unida da Tanzânia junto da Santa Sé. A visita do
Presidente, Sua Excelência o Senhor Benjamin Mkapa, no passado mês de Novembro,
e a sua própria presença aqui hoje evocam as alegres recordações da minha Visita
pastoral ao seu País em 1990, quando fui calorosa e entusiasticamente recebido.
Peço-lhe que transmita os meus bons votos ao Senhor Presidente e aos Membros do
Governo, e que os assegure das minhas orações pelo bem-estar de todos os seus
concidadãos.
Ao mencionar o empenho do seu País por trabalhar em benefício da
causa da paz, Vossa Excelência reconheceu também os esforços da Santa Sé neste
mesmo campo. Efectivamente, a Igreja recebeu do seu Fundador divino uma missão
religiosa e humanitária, cuja natureza é diversa daquela da comunidade política,
mas está contudo aberta a muitas formas de cooperação mútua e de entreajuda. Em
conformidade com esta missão, a presença da Santa Sé na Comunidade internacional
tem em vista exclusivamente a busca do bem da família humana: trabalhar em
benefício da causa da paz, pela defesa da dignidade humana e dos direitos do
homem, e pelo desenvolvimento integral dos povos. Trata-se de um dever que
deriva necessária e perenemente do Evangelho de Jesus Cristo, e constitui
uma responsabilidade compartilhada por todos os cristãos.
Enquanto os povos e
as nações colaboram na tarefa de promover a compreensão e o desenvolvimento da
causa da paz e da justiça, subsiste contudo um problema que, apesar das
proporções planetárias, exerce relativamente pouca influência sobre a opinião
pública mundial: a trágica situação de milhões de refugiados e de pessoas
deslocadas. Algumas destas pessoas são vítimas de calamidades naturais, mas
inumeráveis outras continuam a sofrer as consequências do conflito étnico, das
lutas pelo poder ou do desenvolvimento social e económico impróprio. Não se pode
negar que muito está a ser feito, especialmente por organizações de assistência
voluntária e pela própria Comunidade internacional, mas muito ainda deve ser
realizado. O seu próprio País, Senhor Embaixador, tem sido exemplar no
acolhimento de refugiados e na oferta de assistência aos mesmos, utilizando até
os próprios recursos, já de per si precários. A actividade da Tanzânia neste
campo é digna de louvor e espera-se que seja correspondida por uma resposta
generosa e pronta da parte de outras nações.
No caso da África, deve-se
encorajar um empenhamento concreto na contínua democratização da sociedade. O
desafio consiste em aumentar a participação de todos os grupos numa ordem da
vida pública que seja representativa e juridicamente tutelada. Isto exige um
melhoramento contínuo da qualidade da educação a todos os níveis, fazendo com
que cada vez mais pessoas desempenhem um papel responsável no progresso económico, social e cultural do próprio País. Requer também a promoção de uma
consciência mais clarividente dos direitos do homem e da dignidade humana. O
diálogo e a negociação devem substituir-se ao conflito na resolução das tensões.
Esta necessidade é particularmente urgente na região dos Grandes Lagos, onde a
violência e o derramamento de sangue continuam a causar sofrimentos inauditos e
a ceifar inúmeras vítimas: nem a África nem a mais vasta família das nações
podem
deixar de escutar os brados dos homens, mulheres e crianças, cujas vidas estão a
ser destruídas nos conflitos fratricidas. A este propósito, espera-se que o
Secretariado para a Cooperação no Leste da África, recentemente instituído,
consiga ser um veículo eficaz na resolução das dificuldades e dos problemas
enfrentados pela sua região e, ao mesmo tempo, possa oferecer a infra-estrutura
para uma mais efectiva colaboração e assistência recíprocas em todos os sectores
do desenvolvimento social.
Naturalmente, a Igreja católica será sempre um
parceiro disponível na promoção do progresso humano, e continuará a oferecer o
próprio contributo para a edificação da sociedade tanzaniana. A este propósito,
a tutela do direito à liberdade religiosa no seu País, como pedra de toque da
harmonia e da estabilidade em qualquer sistema democrático de governo, permite
aos católicos trabalhar em prol do progresso espiritual e material da sociedade.
Senhor Embaixador, estou convicto de que a sua missão há-de fortalecer os
vínculos de amizade e cooperação já existentes entre a Tanzânia e a Santa
Sé. No momento em que assume
as suas novas responsabilidades, apresento-lhe os meus sinceros bons votos,
assegurando- lhe que os vários departamentos da Cúria Romana estarão prontos a
ajudá- lo no cumprimento dos seus deveres. Sobre Vossa Excelência e sobre o
querido Povo da Tanzânia, invoco cordialmente as abundantes bênçãos de Deus
Todo-poderoso.
© Copyright 1997 - Libreria
Editrice Vaticana
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