mãos e irmãs em Cristo e amados
Brasileiros,
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
1. MAIS UMA VEZ me é grato comunicar, através do rádio e da televisão, com o
dileto Povo brasileiro, na abertura da nova Campanha da Fraternidade, este ano
com o tema: “A Comunicação Social”. Entrando nas vossas casas e nos locais de
vosso encontro e comunicação, saúdo a todos, segundo o lema da Campanha: “a
Verdade e Paz” estejam convosco!
Equivale a dizer, antes de mais, que esteja convosco Jesus Cristo, o qual
veio dar testemunho da verdade e nos disse: “Eu sou... a Verdade”. Como
“Mediador entre Deus e os homens”, Ele nos reconciliou com o mesmo Deus e nos
deixou a mensagem de reconciliação uns com os outros; e, “primogénito entre
muitos irmãos”, constituiu-nos na liberdade de filhos de Deus e proclamou-nos
todos irmãos: “Ele é a nossa Paz”.
2. Começa a Quaresma, tempo penitencial, em preparação da Páscoa: vamos
celebrar a Salvação, que nos veio pela vida, morte e ressurreição do Senhor.
Neste mistério pascal nós fomos introduzidos pelo Batismo, quando fomos
libertados do pecado e enriquecidos com a graça e o Dom do Espírito da verdade;
quando renunciámos às obras contrárias à luz e à paz com Deus e com os outros,
obras que provêm sobretudo do Maligno. Ele é o príncipe das trevas e o pai da
mentira, na qual se originam o desamor, as contendas e as guerras.
3. Pelo Batismo, ainda, entrámos na Igreja peregrina, à qual, em continuidade
com a Igreja do Pentecostes, incumbe o mandato: “Ide por todo o mundo e pregai a
Boa Nova a toda criatura”.
Entre este mandato de evangelizar – “fazer discípulos de todas as nações” – e
a comunicação social, há um apelo recíproco, convergindo no homem e na sua
salvação.
A Igreja tem cada vez mais consciência da importância da comunicação social;
ela deseja evangelizar os modos de as pessoas se relacionarem e permutarem
experiências, valores e idéias; deseja levar o “fermento” do Reino à “produção”
dos maravilhosos meios de comunicar, que caracterizam o nosso tempo, os quais,
por vezes, privilegiam o imediatismo à reflexão.
4. A comunicação social representa um dos bens de maior consumo; e o seu
controlo desperta a cobiça do poder, do ter e do prazer da sabedoria terrena,
contraposta à sabedoria que vem do Alto. E sucede que, para sobreviverem,
empresas de comunicação passam a incentivar padrões de comportamento que
perturbam a ordem na sociedade, nomeadamente a violência, o erotismo e o
consumismo.
Solícita pelo bem dos homens e dos povos, a Igreja lembra aos empresários,
profissionais da comunicação social e a todos os comunicadores que atendam à
grave responsabilidade da inversão de valores, que incide negativamente no
tecido diversificado da sociedade; aponta-lhes a solidariedade e a fraternidade
como condição para todos os homens usufruírem dos bens da verdade e da paz;
diz-lhes que estas assentam em princípios basilares de comportamento que
salvaguardem o respeito pelo outro, o senso do diálogo, a justiça, a ética
correta da vida pessoal, profissional e comunitária, a liberdade e dignidade de
pessoa humana e a sua capacidade de participação e de partilha com os demais.
5. Onde faltarem a verdade no reconhecimento dos direitos à informação, à
opinião, ao pluralismo cultural e à livre iniciativa, e a verdade na observância
dos deveres correlativos, a paz começa a estar ameaçada. A paz autêntica não é
somente a ausência de guerra; mas é “obra da justiça”, pela qual anelam os
homens; é algo que deve estar constantemente a ser construído.
E como a vontade dos homens é fraca e ferida pelo pecado, a paz exige um
esforço contínuo de conversão das mentes e dos corações para os autênticos
valores humanos. No caso dos cristãos, é a “penitência e acreditar no Evangelho”,
que há-de levá-los a viver, testemunhar e anunciar a Boa Nova da salvação em
Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre.
Só com corações convertidos se modificarão os ambientes onde coexistem
liberdade e medo, ciência e analfabetismo, abundância e miséria, consumismo e
condições sub-humanas, para aí eclodir a fraternidade.
Implorando o Espírito da verdade, em especial para a missão da Igreja no
Brasil, a fim de que aí se afirme uma comunicação social a serviço da verdade e
da justiça, que frutifiquem em paz na pátria e coração de cada Brasileiro, a
todos abençoo.
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