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CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
A Sua Santidade Dimítrios
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunicação do Espírito
Santo sejam com todos vós" (2 Cor 13, 13). E com todos nós!
A nossa delegação, presidida pelo nosso caro irmão o Cardeal Joahnnes
Willebrands, Presidente do Secretariado para a União dos Cristãos, leva-vos,
Santidade, a vós próprio e à vossa Igreja, a saudação da Igreja de Roma (cf. Rom
16, 16) e manifesta com a sua presença quanto vos estou unido na oração neste
dia em que é celebrada a festa do apóstolo André.
Estes encontros anuais, na sede da vossa Igreja e em Roma na festa dos apóstolos
Pedro e Paulo, não só permitem uma fervorosa oração comum e renovada, mas
dão-nos também ocasião para intensificar regularmente e harmonizar os nossos
esforços na busca da unidade.
Na celebração, este ano, do XVI centenário do segundo Concílio ecuménico, o
primeiro Concílio de Constantinopla, as nossas Igrejas envidaram esforços para
renovar e aprofundar, na inteligência e no coração dos fiéis, as certezas
tradicionais e sempre actuais da nossa fé comum no Espírito Santo, ao mesmo
tempo que recordaram com insistência, a necessidade de uma oração contínua
implorando a acção vivificante deste mesmo Espírito e a disponibilidade para o
acolher docilmente.
Esta nova tomada de consciência da fé comum expressa pelo Concílio deveria
ajudar-nos, espero-o de todo o coração, a superar as dificuldades doutrinais que
se levantam ainda no caminho que leva à plena unidade reencontrada.
Há dois
anos, quando do nosso inesquecível encontro fraterno no vosso patriarcado,
tivemos a alegria de anunciar juntos a criação da comissão mista de diálogo
teológico. Hoje, regozijo-me em verificar que, graças aos meios postos em acto
por esta comissão, os objectivos, que ela se tinha proposto depois da sua
primeira reunião, deram ser alcançados com diligência, competência e vivo amor
da Igreja e da unidade querida pelo Senhor.
Não é conveniente, de facto, que a nossa marcha em frente abrande ou se
dissolva. Tanto as necessidades do mundo cristão como, mais em geral, as opções
que são propostas aos homens de hoje e das quais depende a existência futura
deles, requerem que o diálogo entre as nossas Igrejas não se disperse em
questões secundárias, mas se concentre no essencial a fim de alcançar o mais
depressa possível esta plena unidade, que poderá ser contributo importante para
a reconciliação entre todos os homens. E o essencial, é a unidade na fé, nesta
fé radicada na Palavra de Deus que nos vem das Sagradas Escrituras, que foi
anunciada pelos apóstolos, garantida contra toda a mudança e proclamada com
vigor pelos concílios ecuménicos nas diversas épocas.
Santidade, desejo assegurar-vos de novo a plena disponibilidade da Igreja católica, num espírito de compreensão leal e de solidariedade
fraterna, para
todas as iniciativas que forem julgadas possíveis e oportunas, tanto no campo do
estudo como no da acção, e que possam aprofundar e consolidar a fraternidade
crescente entre as nossas Igrejas. A intercessão dos santos apóstolos irmãos
André e Pedro nos obtenha docilidade vigilante e activa a todas as inspirações
do Espírito Santo!
Com estes sentimentos, reafirmo-vos, Irmão muito caro, a minha profunda caridade
no nosso único Senhor.
Do Vaticano, aos 25 de Novembro de 1981
JOÃO PAULO PP. II
© Copyright 1981 - Libreria Editrice Vaticana
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