1. «Jesus... foi conduzido pelo Espírito através do deserto. Ali, foi
tentado pelo demónio durante quarenta dias» (Lc 4, 1-2). A narração
dos quarenta dias transcorridos por Jesus através do deserto, no início da vida
pública, ajuda-nos a compreender melhor o valor do «tempo forte» da Quaresma,
que há pouco teve início.
Enquanto empreendemos o itinerário quaresmal, olhamos para
Cristo que jejua e luta contra a demónio. Com efeito, também nós, ao
preparar-nos para a Páscoa, somos «conduzidos» pelo Espírito através do deserto
da oração e da penitência, para nos alimentarmos intensamente com a Palavra de
Deus. Também nós, como Cristo, somos chamados a uma luta forte e convicta contra
o demónio. Somente assim, com uma renovada adesão à vontade de Deus, podemos
permanecer fiéis à nossa vocação cristã: ser arautos e testemunhas do Evangelho.
2. Caríssimos Irmãos e Irmãs das Paróquias de Santo Anselmo «alla
Cecchignola», de São Carlos Borromeu na Fonte Laurentina, de São João Baptista
de La Salle e de Santa Maria Estrela da Evangelização «al Torrino».
É-me grato celebrar a Eucaristia juntamente convosco,
continuando, de maneira diversa, a bonita tradição da visita às paróquias
romanas. Estes encontros permitem-me manifestar o afecto que me une intensamente
a vós, prezados fiéis da Diocese de Roma. Nunca o esqueçais: vós estais no meu
coração! Vós sois a porção do povo cristão confiado, de modo especial, aos
cuidados pastorais do Bispo de Roma.
3. Saúdo em primeiro lugar o Cardeal Vigário e o Bispo Auxiliar
do Sector Sul. Saúdo os Párocos: Pe. Mário Sanfilippo, Pe. Fernando Altieri, Pe.
Ilija Perleta e Pe. Francesco De Franco, enquanto lhes manifesto a minha
gratidão por me terem explicado, nos encontros realizados precedentemente, as
várias realidades paroquiais. Saúdo os Sacerdotes e os Diáconos que os ajudam,
assim como as Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria,
colaboradoras preciosas na Paróquia de São João Baptista de La Salle.
Dirijo um pensamento cordial aos componentes dos Conselhos
paroquiais pastorais e dos assuntos económicos, aos catequistas, aos grupos da
Cáritas, aos ministrandos e a todos os membros dos diversos grupos que trabalham
activamente no seio das vossas comunidades. Gostaria de dirigir um pensamento
especial aos cantores que, nesta ocasião, formaram um bonito coro interparoquial
e, com entusiasmo, estão a animar a nossa assembleia litúrgica.
4. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Os bairros onde estão situadas as
vossas Paróquias encontram-se em expansão contínua e são povoados, em boa parte,
por famílias jovens. Reservai-lhes um acolhimento aberto e cordial; favorecei o
seu conhecimento recíproco, a fim de que as comunidades se tornem cada vez mais
«famílias de famílias», capazes de compartilhar em conjunto as alegrias e as
dificuldades.
Fazei com que os pais dos jovens e das jovens participem na
preparação dos seus filhos para os sacramentos e a vida cristã. Tendo em conta
os horários e as exigências familiares, proponde encontros de espiritualidade e
de formação, tanto nos prédios como nas casas individualmente. Esforçai-vos para
que precisamente as famílias sejam o primeiro lugar da educação cristã dos
filhos.
Acompanhai com atenção as famílias em dificuldade ou em
condições precárias, ajudando-as a compreender e a realizar o desígnio autêntico
de Deus para o matrimónio e a família.
5. Caríssimos! Bem sei que actualmente só dispondes de
estruturas provisórias para a vida litúrgica e o serviço pastoral. Faço votos a
fim de que, quanto antes, também vós possais usufruir de lugares adequados.
Entretanto, porém, preocupai-vos em transformar as vossas paróquias em
autênticos edifícios espirituais, fundamentados sobre a pedra angular, que é
Cristo, e sempre Cristo!
A este propósito, o Apóstolo Paulo recorda-nos: «Pois se
confessas com a boca que Jesus é o Senhor, e acreditas com o coração que Deus O
ressuscitou dos mortos, serás salvo» (Rm 10, 9). Este é o núcleo da
fé, que sois chamados a proclamar com a vossa existência: Jesus morto e
ressuscitado por nós! Esta é a verdade fundamental a que fazeis referência para
o vosso crescimento espiritual, que deve ser constante, e para a vossa missão
apostólica.
Maria, Mãe do Redentor, testemunha privilegiada da paixão do
Filho e partícipe dos seus sofrimentos, vos ajude a conhecê-lo e a servi-lo com
entusiasmo generoso. Que Ela vos acompanhe no itinerário da Quaresma, para que
possais saborear juntamente com Ela o júbilo da Páscoa.
Amém!