1. "Permanecei com os rins cingidos e com as lâmpadas acesas" (Lc
12, 35).
O tempo de Advento serve de pano de fundo para esta celebração exequial, em que
oferecemos o Sacrifício eucarístico pelo querido e venerado Irmão, Cardeal
Paulos Tzadua, Arcebispo Emérito de Adis Abeba. O Senhor chamou-o para junto de
si nestes dias, durante os quais são insistentes as exortações à vigilância, à
expectativa e à esperança.
O Evangelista Lucas acaba de nos advertir: "Vós também estai preparados!
Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos esperais" (12, 40).
O cristão deve estar sempre pronto para enfrentar a passagem da morte. Ele olha
para o futuro tanto pessoal como universal na perspectiva da parusia,
orientando tudo para estas realidades derradeiras e fundamentais. Com efeito, é
grandioso o acontecimento que nos espera: o encontro "rosto a rosto" com Deus
(cf. 1 Cor 13, 12).
2. "Felizes os servos que o senhor encontra acordados quando chega" (Lc
12, 37). Agrada-nos considerar este nosso Irmão, a quem damos o derradeiro
adeus, como um dos "servos" de que fala o Evangelho e que o "senhor", ao voltar,
encontrou acordados. Sacerdote e Bispo zeloso, ele despendeu a sua vida por
Cristo e pela Igreja. Com uma escolha significativa, no seu brasão ele escreveu
o seguinte lema: "Por Jesus Cristo". À imitação do seu Senhor, fez-se
servo dos irmãos, colocando à sua disposição as melhores qualidades que tinha,
assim como os vastos conhecimentos adquiridos mediante os estudos, especialmente
no campo jurídico. Contudo, para além do compromisso pastoral, ele entregou-se
sobretudo a si mesmo, dando sempre prova de santidade de vida e de anélito
apostólico constante. Por isso, nos vários âmbitos em que foi chamado a
desempenhar o ministério sacerdotal e episcopal, deixou uma recordação repleta
de estima e de veneração.
3. Gostamos de pensar nele como num Pastor generoso e activo daquela porção
eleita da Igreja que está na África. Ele fez-se porta-voz autorizado dela no
seio do Sínodo dos Bispos, em que participou primeiro como Presidente da
Conferência Episcopal da Etiópia e, em seguida, como Arcebispo de Adis Abeba e
como Cardeal.
Este aspecto do seu ministério culminou na Assembleia Especial do Sínodo dos
Bispos para a África, que teve lugar em Roma no ano de 1994, durante a qual,
como terceiro Presidente Delegado, desempenhou um papel de grande relevo. O Povo
de Deus é-lhe devedor de uma relevante solicitude pelos leigos, a cujas vocação,
formação e missão se demonstrou sempre especificamente atento, em fidelidade aos
ensinamentos do Concílio Ecuménico Vaticano II.
4. "Pela sua grande misericórida, ressuscitando Jesus Cristo dentre os
mortos, Ele [Deus] fez-nos renascer para uma esperança viva" (1 Pd 1,
3).
Em momentos de prova e de dor como este, o recurso à palavra de Deus é para os
crentes uma fonte de alívio e de esperança. É o Apóstolo Pedro, na segunda
Leitura, que nos recorda que Cristo venceu a morte com a
ressurreição.
Celebrando o memorial da sua Páscoa, hoje nós invocamos o poder do Senhor para o
venerado e querido Cardeal Paulos Tzadua. Para ele, servo fiel da Igreja, está
reservada nos Céus "uma herança que não se corrompe" (1 Pd 1, 4);
para ele está aberto o banquete da vida e da alegria (cf. Is 25, 6).
Que ele seja recebido pela Virgem Maria, e por Ela acompanhado até ao Paraíso, a
fim de gozar para sempre da bem-aventurança dos justos.
Amém!