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VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE À REGIÃO DA ÚMBRIA (ITÁLIA) PAPA JOÃO PAULO II ANGELUS Praça de São Bento, Nórcia
1. Peregrinando pela terra de São Bento, paramos neste lugar para recitar juntos o Angelus: para meditar mais uma vez a verdade da exaltação do homem no Mistério da Encarnação de Deus. Eis que o homem é exaltado, é exaltada a Virgem que, acolhendo a Palavra, responde: Eis aqui a serva do Senhor (Lc 1, 38). Nesta concepção e na natividade do Filho de Deus da Virgem Maria, todo o homem é exaltado. Viemos hoje — quinto domingo da Quaresma — em peregrinação à terra natal daquele homem que recebeu esta exaltação no mistério da natividade do Filho de Deus da Mãe-Virgem. Aquele homem tem o nome de Bento — isto é de "Bem-aventurado". Peregrinamos pela terra "do bem-aventurado", de Bento de Nórcia, depois de mil e quinhentos anos do Seu nascimento. 2. Esta terra foi recentemente atingida pelo terremoto. A terra tremeu, caíram os velhos edifícios e numerosas habitações. Estamos agora no meio destes homens, e com eles rezamos no jubileu de São Bento. Neste tempo tão solene e especial, no qual a Igreja recorda as palavras do Senhor: sempre que fizestes isto a um destes... a Mim mesmo o fizestes (Mt 25, 40), ninguém esqueça os homens, os Irmãos atingidos pelo terremoto, porque este é o tempo da conversão: a Quaresma. Nós convertemo-nos todas as vezes que a um dos nossos irmãos fazemos aquilo que Cristo espera de nós. 3. Neste período de penitência e de conversão, meditamos a verdade sobre o Verbo que não passa sobre a terra que passa, porque a aparência deste mundo passa (1 Cor 7, 31). Passa. Ela era outra nos tempos de Bento de Nórcia, outra no curso de todos os séculos e de todas as épocas que foram inscritas na sua história. E outra é hoje. A mesma terra é diversa. E os homens, que são homens do mesmo modo, hoje são outros. Outra é a figura que os homens dão ao seu mundo humano, e outro é o mundo em que vivem. Mesmo quando nascem e morrem, se relacionam e amam, se alegram e sofrem, assim como também, é diverso o seu conhecimento e são outros os seus sofrimentos. Muitas vezes passou a aparência do mundo juntamente com os homens que aqui a formaram, nesta terra, desde o tempo em que nela nasceu Bento, na qual, com ele, começou a nascer também o novo vulto desta terra, e de tantas outras em redor. Bento, de facto, foi santo. Foi o homem do Espírito. O Espírito renova a face da terra. A terra passa. Só o Espírito Santo renova a face da terra. O Espírito Santo, por obra de Bento de Nórcia, renovou a face desta terra e de muitas outras em redor. A face da Itália e da Europa. 4. Nesta terra hoje rezamos. Reza mos pela Itália e pela Europa no lugar do nascimento do Santo. Rezamos pelos homens e pelas famílias, rezamos pelos povos e pela Igreja. Pedimos pela paz da Europa e de todas as outras partes do mundo. Pedimos pela liberdade do homem, a qual corresponde à dignidade das suas ideias e obras. Pedimos pela justiça social e pelo amor verdadeiro, sem o qual a vida humana não respira a plenos pulmões. Rezamos por que cesse esta terrível ameaça para o homem, que os meios contemporâneos de destruição trazem consigo, e a ameaça que se esconde nos corações dos homens prontos a matar e destruir. 5. Neste dia de reflexão e de oração, promovido pela Conferência Episcopal Italiana, contra a violência e contra o terrorismo, pedimos ao Senhor que toque os corações e detenha a mão homicida de quantos estão envolvidos nas obscuras tramas do ódio e dos delitos, e que todos sintam o dever de colaborar no afastamento de tais absurdas atrocidades e de testemunhar com a sua vida os valores inestimáveis da paz, da fraternidade e do amor recíproco. Como já disse na Irlanda, hoje repito a quantos possam ter sido enredados no triste fenómeno do terrorismo: "a violência é um mal, a violência é inaceitável como solução dos problemas, a violência não é digna do homem, a violência é mentira, porque se opõe à verdade da nossa fé, à verdade da nossa humanidade. A violência destrói o que ambiciona defender: a dignidade, a vida e a liberdade dos seres humanos" (Homilia em Drogheda, 29 de Setembro de 1979). Como diz a mensagem do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Italiana para o Dia de hoje: "Muito sangue e muitas lágrimas já foram derramados. Os caminhos justos são os do amor, que não é fraqueza nem covardia: o amor é a única força segura, a única fonte de vida, a garantia única de uma autêntica e justa convivência social". São Bento, artífice da paz e da concórdia nos séculos que conheceram a divisão provocada pelo ódio e as crueldades, interceda por que desapareçam as forças do mal, que irrompem com ímpeto no mundo e nos corações, de tal modo que se renove a face da terra; desta terra; deste continente, do qual Ele é Patrono. 6. Rezemos também pela Igreja que, em meio às provações da terra, procura a sua unidade em Cristo. Esta é a sua constante conversão. Particularmente no momento presente de penitência e de conversão. Que a Igreja se converta a Cristo, ao seu Senhor e Redentor, Mestre e Esposo! São Bento foi para esta terra o arauto da conversão na Igreja. Ensinou a interpretar os sinais dos tempos que passam, para compreender e cumprir a Palavra de Deus que não passa. A Igreja converte-se a Cristo quando interpreta os sinais dos tempos, e não quando se torna semelhante a "este mundo" que passa. O Apóstolo, de facto, ensina: Não vos conformeis com este século (Rom 12, 2) que passa..., tornai aquilo que passa semelhante à Palavra que não passa. Viemos em peregrinação a esta terra natal de São Bento com um ardente desejo: que a Igreja dos nossos tempos se renove constantemente na Palavra que nunca desvanece.
© Copyright 1980 - Libreria Editrice Vaticana
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